quinta-feira, 9 de agosto de 2012

-------------OS BANHOS DE CRISE-------------


CRISE VAI À PRAIA



Lá vai mais um Verão de ilusões
para onde o pensamento flutua
deslizam desejos, sensações
até ao fundo da carteira nua.


Os meses vão custando a passar
a bolsa cada vez mais pequena
é um suplício só de pensar
que a minha tez não será morena.


Inveja que o Sol achocolate
as formas esbeltas da vizinha
nem que esse sacrifício me mate
não deslumbrará a rua sozinha.


Sol a beija, deitada na cama
sobre grãos de rocha desfeita
será mais a ilusão que fama
essa beleza de Agosto feita.


Um hotel, uma pensão ou uma tenda
condição de uma qualquer catraia
o que menos importa é a renda
biquini toma lugar da saia.

8/8/2012

sábado, 7 de julho de 2012

-------------O PORTUGAL QUE TEMOS-------------------


 TRISTE INDEPENDÊNCIA


Era Portugal, mas livre já não existe
no decreto é região, bispada ordem
para os seus ilusão ainda persiste
todos longe da oculta e velha manha
de séculos falsa egregora escondem
sempre um tal decreto a tudo resiste
maldita paz apregoada e estranha.

Décimo sexto começou há cinco
Século de vitoria e maldição
trabalhou a brava gente com afinco
para quem fortuna lhe vem do céu
e assim todo o credo em contradição
era desde o romano hoje luso extinto
saiu da terra logo empalideceu.

Pobres escravos os deste Ocidente
julgaram Vinte e Um a liberdade
mas do outro lado invadem o presente
com a barca opada de financeira
como pandora oculta austeridade
por todo o lado todo o santo mente
rica a história abismo de lixeira.

7/7/2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

-----------QUANDO O MEL AMARGA------------

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Portugal é um cortiço
Onde os favos escasseiam
Obreiras por eles guerreiam
E o pólen é desperdício.
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Há sempre boas vontades
Apregoadas à entrada
Mas força não declarada
Contraria as veleidades.
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Vigor das obreiras, murcha
Mestra no lugar de Deus
Absorve os esforços seus
E o mel para fora puxa.
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Se há flores há trabalhos
Juntas recolhem o pólen
Mas poucas, o seu mel comem
Para obreiras, só bugalhos.
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Nosso esforço mal empregue
Dizem as obedientes
Para aquela que as faz crentes
Vá ao diabo que a carregue.
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1/2/2012.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O FINANCEIRO, O PODER E O DEMOS

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Francos, outros e germanos
Outrora da paz divorciados
De novas núpcias se vestiram
Na cama do euro se uniram
Com solicita e vaticana bênção.
Feridos na sua prepotência
apelidaram de infeliz desobediência
A democrática pose helenística.
Do outro lado do mar a influência;
Se nós é que delineamos,
como ousas desafiar-nos
Consultando o velho povo?
Entra em linha de novo
Guarda a democracia para as ilhas.
Somos o guia do mundo inteiro
Deixa-te dessas arqueologias
Nós decidimos, o financeiro.
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

----------- A ESTÉRIL POLÍTICA -----------

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Dia após dia, o teu legado é a incerteza
Feita de palavras que engendram pobreza.
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Na política verborreica com que te opões
Como maldizente, em gritarias, aos repelões,
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Apenas em dúvidas nos fazes crescer
Como se no fim nada tivesses a perder.
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Nas páginas em caixas de ignorância
onde se inverte o sentido e relevância,
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É a irresponsável voz que te oferecem,
Espaço concedido aos que não merecem,
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O pão que da ceifa política nasce,
Dessa sementeira, donde nada renasce.
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Teu espírito raso e pobre é inato,
Todavia, continuas sendo candidato.
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terça-feira, 17 de agosto de 2010

-----------COMEÇA PELO PRINCÍPIO-----------

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No princípio da caminhada, melhor antes
Eras apenas vulto e matéria bruta
Pesada e tosca como uma rocha
O que nem os sons naturais escuta
Eras um "sem rumo", como os errantes
Perdido de vez, tinhas de encontrar a tocha.
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Mas, em qualquer lugar, antes do princípio
Todos os caminhos se multiplicam e cruzam
Labirintos onde a certeza está de fora
Fachos sem esperança que luz não produzam
Levam-nos como matéria escura ao precipício
Onde há viventes, mas a Verdade não mora.
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Não esqueças, tudo um princípio tem
Na forja toda a matéria se vai purificando
A rocha de lima em lima se transforma
Cozinhado, fervendo, que sabor vai apurando
Podes errar no lume, sabedoria logo vem
Atento ao caminho que rumo certo é norma.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

---------POEMA ... INACABADO ---------

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(Momentos)
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Num repente, uma sombra, sem sol
Que os raios do alto acariciassem,
Sobressai no espectro, e as formas
a preencherem o vazio, ali no espaço
onde outra luz não caberia.
Olhos, quase rejeitam as normas
E tentam penetrar no todo que não se vê
Iluminando para lá do opaco manto,
Regala as mentes que param de espanto.
E todo o perfil que a beleza espelha
Sua natura o Inverno esconde.
São aparições de onde em onde
Que a imaginação foca como uma centelha.
E nesta visão sem ritmo, sem métrica,
Sem lógica, sem amor, sem rima,
É poema rejeitado, a quem se destina
E o momento, ao nada se definha.
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