quarta-feira, 19 de agosto de 2009

----------- A TEORIA E A PRÁTICA -----------

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Sonhador de pensamento profundo
Livre de obstáculos no seu trajecto
Sem questões opostas ao seu objecto
Qual ave flutuando para além do mundo
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Tudo é positivo nesse segundo
Quando voa em abstracto e circunspecto
Para além das nuvens tudo é correcto
Jamais obtém insucesso profundo
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Mas a prática que na volta espreita
Lembra ao sonho, sempre ali está
À espera que a prova seja feita
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E a teoria, também sempre andou por cá
Ainda que a provas seja sujeita
Lembra que sem ela prática não há.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

----------TROVA DO MEU OCIDENTE----------

Paisagem mediterrânica
Em pleno Verão florindo
Símbolo à vida botânica
Flor de loendro sorrindo
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Calmas águas poseidónicas
Do oceano lago saíram
Vendendo culturas dóricas
A aquém Hércules se uniram
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Longo Estio pleno de luz
Água fresca quanto baste
A todo o mundo seduz
O mar e serra em contraste
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A Natureza confiou
Neste mar de azul vestido
Adoçar frutos que criou
Dando à vida seu sentido
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Flores sorriem no Verão
Vestem Algarve de musas
Com que poetas cantarão
Sul rainha das praias lusas.
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

--------VOLTAM AS AVES DE RAPINA---------

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Foi tempo de deixar as grutas
saíram vinte e oito a correr
Porque era suposto nascer
Nova era fonte de consultas.
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Espalharam por aí o perfume
O altamente técnico BANDO
Voando em novos moldes quando
Forem eleitos os do costume.
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Os voos ainda não esperados
Já se esquecera a migração
Dessas aves de arribação
Mas a volta tem dias contados.
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Com estrangeiros de renome
São visíveis pela média divulgata
Assinam panfletos à socapa
Matam os Estado, negra fome.
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São economistas ou gestores?
Todos em bando se consertam
Aos políticos cerco apertam
Força de exímios professores.
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Se ventos saírem de feição
Risonhos de aspecto expedito
Não alimentarão conflito
A novo gov nada de traição.
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Enquanto a teta escorrer
Todos em estado de graça
A esses engenheiros da praça
As carteiras deverão crescer.
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Menos engenhos ó engenheiros
Muda-se de ramo, convém!
Aproveitar o que o mundo tem
Sair na vida como banqueiros.
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O advogado leis não sabe
E dos impostos que não conhece
Dão-lhe os média que não merece
Que essa má-língua não acabe.
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E lá em baixo o zé-povinho
Vê lá no alto o desperdício
Grandes pagos por mau ofício
Vendo que o seu é tão baixinho.
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Haverá BANDO mais esperto?
Projectos que lhe podem ir à mão
Talvez panfletos dêem lição
Técnicas, rendimento certo.
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Hão de rir-se de quem apupa
As espertezas que assumem
Resta que maiorias se esfumem
Enquanto o BANDO a fins se agrupa.
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Nova primavera política
Regressam as aves de rapina
Já sabem a quem se destina
Roubam o povo? Façam crítica.
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quinta-feira, 14 de maio de 2009

----------UM CONTO DO URZAL----------

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Era uma vez uma menina
azul celeste de afecto
e a graça de pequenina
enchia casa até ao tecto
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Na quinta onde morava
avós babosos distraía
"Tá-tu" com Ela rodopiava
Pai que outra coisa não via.
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Já cresceu um bocadinho
pela casa aos passinhos
lá corre aquele diabinho,
olhares embevecidos.
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Mãe, cuidados não distrai
de todos lados vêm tias
ver diabrete que ali vai
crescendo todos os dias.
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Ti ti, vô, tá-tu, são Reis
mã, para tudo; são mães
mais um rol de amigos fiéis
ma'ti's, nina, pet', os cães.
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Linda bebé do Urzal
rechonchuda essa petiz
gracinhas são festival
nem dois anos tem Beatriz.
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------------UM GRITO AOS VENTOS------------

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Político? Nem por sombras confesso,
Nem sei se meu pensamento se ajusta.
Mas tento sempre seguir o processo
Que por cá, esta vida a todos custa.
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Revolto-me contra todo o excesso
E contra toda a posição não justa.
Sou a favor da vida em progresso,
Da resolução daquilo que assusta.
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Gritarei ao vulgo, a todos os ventos,
Denuncio aqui e ali, a toda a gente,
Procuro além da letargia dos tempos
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Remédio àquilo que o Povo sente.
Mas porque vendado como jumentos
Nunca soube fazer uso da mente.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

VOANDO COM TEU ESPÍRITO

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No vazio dos meus tormentos
meditava, meditava ...
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E enquanto alto voava
inventava, inventava ...
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E no silêncio que me adormecia
sonhava, sonhava ...
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E quando os ventos me não guiavam
ondulava, ondulava ...
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E enquanto tua voz não surgia
escutava, escutava ...
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E quando na onda me apareceste, calma
regressava, regressava ...
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E no espaço limitado da tua áurea
acordava, acordava ...
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E o sonho tornou-se luz, depois
sorria, sorria ...
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sábado, 4 de abril de 2009

O BERÇO DE LISBOA

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Monte, de pedra cercado

Onde Lisboa foi parida

Vagas de gentio chegado

Por séculos deu guarida.

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Com seu raiar iluminou

Corvo trajado de nojo

No seu castelo poisou

Encantado pelo Tejo.

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Por becos e vielas amada

Os amores de tanta gente

Por marujos cortejada

Às raças indiferente.

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Virada a Sul, sempre bela

Brilha no Tejo a corrente

Aí gerou a caravela

Pousada de São Vicente.

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Da muralha junto ao céu

Vê mar da palha ao longe

Colo onde Lisboa nasceu

Graça que lhe deu São Jorge.

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Não se esconde por um beijo

Nem esquece de quem gosta

Nunca perde tal desejo

A olhar o Tejo da encosta.

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Das ameias se debruçou

Por Alfama foi descendo

Nos bares então sonhou

Seu castelo foi deixando.

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Às colinas se lançou

Daí foi para todo o lado

Em sete luas espalhou

À noite cantando o fado.

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J. Faustino, Março de 2003.