segunda-feira, 11 de novembro de 2013

---- PLAGIANDO JOSE SARAMAGO ----


  FEBRE PRIVATIZADORA


Privatizem tudo.
Privatizem o mar e o céu,
destruam o tesouro que vos paga
destruam o que é público, essa chaga,
e tudo aquilo que a democracia deu.


Privatizem a água e o ar,
a água da chuva que molha a canalha
os burros contentam-se com palha
e se algum serviço a lucro cheirar
paguem bem às assessorias
as mesmas que aumentam o défice todos os dias.


Privatizem a nuvem que passa,
são a fonte da água que gera lucro
essa dádiva ao povo não tem custo
é de graça, para ricos ou escravos
mas, direitos públicos benefícios privados.


Privatizem os sonhos,
sobretudo os diurnos, de olhos abertos.
Privatizem os estados e, entreguem
a exploração a privados. Mediante
concurso internacional fechado.
E não se esqueçam, nem esperem
por levar essa febre por diante, 
entreguem tudo, Moedas e Borges,
e outros tantos males que infestam tanta gente.


Privatizem os conselheiros,
mas taxem, depois os seus mealheiros,
os que das privatizações se vão enchendo,
enquanto o Estado que lhes paga vai perdendo
o fôlego mas, despejando lares inteiros
e os porta moedas dos idosos.
Assim vão “professores” vivendo
hoje já não prestam e, outra coisa não sendo,
que mais serão, que piolhosos?


E, se não for essa a Salvação do Mundo
será porque o mundo ruiu
e já agora, privatizem também
a puta que os pariu.

3/8/2013.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

-------------- NA PRAÇA DOS DESENCONTROS ------------


NA PRAÇA DOS DESENCONTROS
MAR DE CONFUSÕES


Onde as vozes não combinam
nem musica chega a bares,
até os poetas desalinham
nem os seus versos rimam
tudo é confusão nas estrofes.

Ó poesia,
que rumo te aconselharam?
Porque esqueceste Camões?

           ***

E, assim vai a barca ondeando,
com auto elegias da praça pública onde
eu, sempre melhor do que tu, estamos no caos,
da ordinária febre, onde a imbecilidade
periódica descreve, teoria de políticos maus
e, onde se afirma com lisonja sobriedade,
na ausência do inteligente, do crítico,
após décadas da seca visão, a “woodface”,
confessa-se; não sou político.


Venha, a sombra do Divino, que esbraceje,
nas ágoras duma religiosa corte, perdida,
que ressurgiu dos infernos, ainda ferida,
a recordar o Chifrudo, que o medo elege,
aí se confrontam, com infame desmesura,
o que o Zé, em resumo, mastiga e absorve
sem um mínimo de compostura,
na mentira grosseira que pela tinta corre
qual dos sagrados e, qual dos diabos,
mais vende nesse inferno dos mercados.

Ei, raia que pisais minha Obra,
que aspirais entrar em patamar das cenas,
calai-vos, borregos, escutem apenas
o que digo, e digo, vezes às centenas,
aqui não há laivo de censura
apenas imagem física, que mantos escondem,
minhas palavras, não são sol-de-pouca-dura
são cânticos que séculos entoaram
deram à humana sorte alma e, prescreveram
que, liberdade diabólica, tem censura.


Eu sou o que orienta os rebanhos
pelas pastagens que as tormentas regam
e, dentro da rede onde nos encontramos
não pode babar-se o infiel rabudo
se seguirdes o que os fiéis pregam
de mãos ao alto imploramos tudo,
e tudo o que a míngua rasa e enche
é supérfluo para a pouca mente.


Calem-se os ventos "Ordos"
espalham-se vozes desencontradas,
quando a fome se solta a todos.
Aqui na Terra é santa a condição,
de pouco comer para ter perdão.
É sacrifício, no Caos desenhado,
profana lei, em Tempo escrita,
moldando a vida que corre por todo
o lado. Ao cão não se nega um naco,
nem ao beduíno que a Sumidade protege,
no lugar do Humano, que é macaco.


Não denunciem as boas palavras,
eu vos protegerei dos divinos açoites,
comei do sal, do vosso suor , como dádivas,
e, a conquistar as miséria, não te afoites.

jcf
10/6/2013

domingo, 5 de maio de 2013

---- SEJA A VIDA DE QUE ESPÉCIE FOR----

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SEJA A VIDA DE QUE ESPÉCIE FOR

Quando nasceste
trazias tudo o que a Natureza impõe
um género que não escolheste
o Instinto, súmula da Bio-Informação
guia do caminho da natural reprodução,
e os elementos da dualidade
que impregnados com o reagente amor
trazem à luz a trilogia da fertilidade,
esse fermento criador
seja a Vida de que espécie for.

Enquanto viveres
tens uma missão Divina
transmitirás os teus saberes
ao fruto da tua Bio-obrigação
evitarás qualquer caminho de estagnação
e o teu género um fluido de Liberdade
terás então a consciência de louvor
pelo teu comportamento e acuidade
missão cumprida, qual o sexo ou cor,
seja a Vida de que espécie for.

Quando morreres
deixarás tudo o que em Vida tens
o género dos teus deveres
o lugar que recebeste em doação
porque foste obreiro de criação
tua cedência será lugar de Verdade
doarás essa essência sem dor
porque o lugar de outra identidade
é a iniciação do infinito corredor
seja a Vida de que espécie for.
4/5/2013.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

----------- NO PÓS NATAL -----------

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   NO PÓS NATAL
REGRESSO À REALIDADE


                             Versos políticos também rimam
                                       são críticos, onde se depreende,
                                       se tudo revelam logo ensinam,
                                       nos casos que povo não entende.



Nortada, raça que Europa pariu
deixa em casa a liberdade
quando vem revisitar a mãe
logo a própria velou, e mentiu.
Na volta rouba até à saciedade
ironia, sente-se forte porque de cá fugiu
bolsos cheios da soberana moeda
juntou-se no saque aos santinhos
não lhe pesa nos bolsos, nossa perda,
e assim somos todos, coelhinhos.


Deutsch, parceiros de circunstância
do século vinte esquecidos
deitam-nos às pastagens como carneiros
na mediática conjuntura, a ignorância,
amestrados dezedores, os mais lidos,
sem moralidade, sem valores, rígidos,
sem um raio-que-os-partisse
é do que menos o povo entende
escondidos, no diz-que-disse,
vale a mentira que muito vende.



Pastores apregoam esperança
como se natais de fome
fossem a necessidade prometida,
estranha forma de aliança.
Sempre a história que a todos consome.
Se da resignação viesse a abastança
vinha a área de rebanho acrescida.
Greve, façam, façam, atrás da cortina,
na mira de holofotes viram a cartilha
já sabemos como é, de antanho, a vida.


Não é nas ruas, dizem, que se deve
contestar a fome que espreita.
Perturbações no adro, sem medo,
verdade? Mas não se escreve!
Sim, sim, mas não aceita
reveladoras frases letais, em série.
As alucinações distorcem o ego
a festa já não é dos pequeninos
sem rumo todo o povo é cego
na velada tristeza dos nataizinhos.


Venera a finança, quem dela vive
enche o bolso sem parcimónia
faz eco da esperança, sem a sentir
não há quem a pedra lhe atire
usa como chapéu sua justiça própria
é vigiado enquanto respira
onde a forte moeda é livre a ganância elege.
É a lei da carteira eletrónica
com inteira confiança, roubo protege,
em desprezo por quantia módica.


Muitos zeros nos registos do dono,
desconhecido? O que lhe interessa?
A sua produção são números
o labrego, não tem noção de como
a velocidade informática , apressa
em lamentos se revê no tal divino
famílias com ração, entre muros,
ó nossa senhora dos aflitos
avisa os natais que vêm duros
não pacotes de surdez perante os gritos.


Olhos procuram o chão, estáticos,
e num assomo que todo o mundo lê
dois mil e treze, Nível de Vida em cacos
sim, tem de aceitar mas não crê
tropeça-se em todos os buracos
conta e reconta em tudo o que consome
já nem teme que venha a morte
no voluntariado ameniza a fome
e sobreleva a natalícia sorte.


Culpem-nos a nós próprios, ó raça
das safadezas, do jogo viciado
como jamais nos deixam ser o que quisermos
desçam do Norte e Oeste, roubem toda a praça
destruam tudo o que é Estado
como vossas baforadas calam a desgraça
a doença milenar é crónica.
Se a tal raça e presbítero casaram
continuaremos, sempre em ano de pneumónica,
foram entrando, e jamais nos deixaram.

Portugueses, ainda não entenderam
que seu Sol de inverno, é de oiro.
Entregam-no a outras regiões
com0o não se revissem onde nasceram
por isso se submetem com medo do estoiro
que ameaça os que muito gastaram.
Mas, no pós Natal virá o regresso à realidade,
vão sentir como são caminhos errantes,
saber como são as ruas da Verdade
e, se devemos ou não, dar Passos como dantes.


                                      O Natal, enfim, já passou
                                      todos do que têm, deram,
                                     e como o que tinham voou
                                     outro menos pobre esperam.

29/12/2012.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

----------- PAZ, SÓ NO OLIMPO ECOA ------------


 PAZ, SÓ NO OLIMPO ECOA



Amigos, no regresso de férias, fujamos da propaganda das taxas, do ruído dos milhões e guardemos alguns momentos para repouso espiritual. Imitemos os Deuses que no Olimpo se refugiam, ignorando o mau cheiro da pérfida bancariada e da vil e mentirosa assessoria da inumana finançaria.


A musicalidade, o pensamento ou mesmo a fantasia de um poema, pode proporcionar relaxamento no final de um dia extenuante.

Traçam, no seu espaço,
uma sonata em sol e azul
suavemente pautada do dó ao ré,
sulcando o vento com seu instrumento de brancas plumas
e o momento, em notas sem rasto vai,
a música não escrita vem,
baladas desenhadas sobre bátegas de espumas
são como pombas “voando” sobre as águas
sem raminhos de oliveiras
propondo, da azáfama, momentos de tréguas.





Quando, meditando, estou ausente,
no espaço animado que me envolve
não necessito do caminho.
Tudo está em paz com tudo
tudo flutua num mar de vapor
que vento e maresia, das águas expulsam.
Nascem cenas em palco incolor
e nesse diálogo, a mudez e o verso resultam
em processo criativo, revelador.



E quando não há caminho que marque
a ordem seguidora,
as aves voam livres, lentas,
imitando as ondas suaves
como em mar alto, pacífico.
Então a fantasia sai, esvoaça nesse etéreo gasoso.
Subamos até onde a liberdade ande à solta.
Deixemos a superfície onde ribomba a tormenta,
nada no Olimpo ecoa,
porque além, de todo o pérfido de um Hádes lodoso.
O anúncio de paz no mundo soa,
sem prenúncio, de tudo o que aí vem.

Regressemos então à selva noticiosa
mas deixemos a televisão em trevas
escutemos em harmonia, luminosa,
o reequilíbrio da mente, mais poderosa.

28/8/2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

-------------OS BANHOS DE CRISE-------------


CRISE VAI À PRAIA



Lá vai mais um Verão de ilusões
para onde o pensamento flutua
deslizam desejos, sensações
até ao fundo da carteira nua.


Os meses vão custando a passar
a bolsa cada vez mais pequena
é um suplício só de pensar
que a minha tez não será morena.


Inveja que o Sol achocolate
as formas esbeltas da vizinha
nem que esse sacrifício me mate
não deslumbrará a rua sozinha.


Sol a beija, deitada na cama
sobre grãos de rocha desfeita
será mais a ilusão que fama
essa beleza de Agosto feita.


Um hotel, uma pensão ou uma tenda
condição de uma qualquer catraia
o que menos importa é a renda
biquini toma lugar da saia.

8/8/2012

sábado, 7 de julho de 2012

-------------O PORTUGAL QUE TEMOS-------------------


 TRISTE INDEPENDÊNCIA


Era Portugal, mas livre já não existe
no decreto é região, bispada ordem
para os seus ilusão ainda persiste
todos longe da oculta e velha manha
de séculos falsa egregora escondem
sempre um tal decreto a tudo resiste
maldita paz apregoada e estranha.

Décimo sexto começou há cinco
Século de vitoria e maldição
trabalhou a brava gente com afinco
para quem fortuna lhe vem do céu
e assim todo o credo em contradição
era desde o romano hoje luso extinto
saiu da terra logo empalideceu.

Pobres escravos os deste Ocidente
julgaram Vinte e Um a liberdade
mas do outro lado invadem o presente
com a barca opada de financeira
como pandora oculta austeridade
por todo o lado todo o santo mente
rica a história abismo de lixeira.

7/7/2012